quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Médico da seleção feminina desaprova o salto alto

CBF está organizando novo departamento médico para as mulheres
Eugenio Goussinsky

O ortopedista Marcelo Acherboim, especialista em medicina do esporte, foi contratado em novembro pela CBF para cuidar do departamento médico das seleções femininas do Brasil. No início de janeiro, ele terá sua primeira reunião com os outros integrantes do departamento médico da entidade, inclusive os das seleções masculinas.
”Minha função será acompanhar as três seleções (sub-17,sub-20 e principal) durante os períodos de concentração e torneios, com uma equipe de médicos. Ainda não é nada próximo do que se coloca à disposição das seleções masculinas, mas, pelo menos, há um serviço organizado especialmente para as jogadoras”, disse o médico, em entrevista à revista “Hebraica”.

Em sua primeira experiência com as jogadoras, logo após o vice-campeonato mundial da equipe principal na China, ele fez uma função similar à de um plantonista, na Granja Comary, em Teresópolis. Foram dezenove dias de muito trabalho, para conhecer o grupo sub-17 e fazer uma avaliação mais precisa de cada jogadora.“Embora já exista o departamento médico para o futebol feminino, ainda não há condições de enviar um clínico geral além do ortopedista. Senti como se estivesse de plantão 24 horas por dia, pois estava totalmente à disposição da saúde delas”, observou.

Como ele já atuou em outras equipes femininas – de handebol da Universidade Metodista - sua experiência lhe diz que o tratamento com as mulheres é totalmente diferente do direcionado aos esportes masculinos. “O futebol feminino é um jogo totalmente diferente, porque a constituição física feminina também difere da masculina. Por mais que as atletas se exercitem, não terão a força que os jogadores desenvolvem nos treinos.”Uma de suas primeiras recomendações foi para que as jogadoras não usassem salto alto. Literalmente, já que, em campo, com muita determinação e humildade, elas vêm conseguindo alcançar seus objetivos.

“Sou contra o salto alto. Dou bronca até nas mulheres da minha família. Saltos altos são prejudiciais, forçam a parte da frente dos pés e mais cedo ou mais tarde podem provocar lesões. Aprovo os saltos do ponto de vista estético, mas eles devem ser usados apenas em ocasiões raras. Andar de tênis durante o dia inteiro também não é saudável, mas é melhor do que usar salto. O ideal é andar descalço algumas horas por dia, especialmente na areia, pois isso desenvolve os músculos dos pés”, completou o médico.

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