domingo, 24 de agosto de 2008

Copa do Mundo 2014: Bola em Jogo

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A Copa do Mundo de 2014 já deveria ter começado, pelo menos, para as cidades e os centros esportivos que ainda pretendem capitalizar tudo o que esse evento poderá gerar em negócios e desenvolvimento para o Brasil. Este é o alerta que a Revista Deloitte faz na sua 21º Edição, com a matéria "Bola em Jogo", publicada no 3º trimestre de 2008.
De acordo com o sócio da área de Consultoria em Gestão de Riscos da Deloitte, Robson Calil Chaar, se os preparativos para a Copa não forem acelerados imediatamente, o País corre o risco de ter de arcar com todos os custos demandados pela iniciativa, mas não ter, em contrapartida, os benefícios que um evento dessa magnitude tende a oferecer.
Edgar Jabbour, outro sócio da Deloitte também dedicado a apoiar a organização do evento no Brasil, endossa a preocupação e afirma: "o mais importante do que os estádios são todas as atividades complementares, como obras de infra-estrutura, preparo do capital humano e planejamento dos eventos a serem realizados em torno dos encontros esportivos". Para ele, a mobilização deve ser bem direcionada e envolver governos, investidores privados e, obviamente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além de todos aqueles que, de alguma forma, participarão do evento.
Jabbour também faz um alerta para as cidades interessadas em otimizarem esforços e recursos, exemplificando o município do Rio de Janeiro, candidato à Olimpíadas de 2016. "Os dois eventos Copa e Olimpíadas, poderiam ser coordenadas como apenas um, quanto às atividades para a melhoria da infra-estrutura da cidade", propõe. Segundo ele, é preciso haver um grupo de agentes focados nesse processo, identificando oportunidades e lacunas. "E, se isso não acontecer rapidamente, algumas decisões acabarão sendo atropeladas. Não estamos atrasados, mas essa é a hora de começar para que tudo saia direito", ressalva.
Goleada de investimentos
Para que tudo saia sem erros, será preciso investir muito dinheiro. O aporte mais evidente e urgente terá de ser feito na construção ou reforma de estádios e arenas esportivas que receberão os jogos. Segundo a CBF, poderão ser 12 estádios - de acordo com o número de sedes e ser confirmado -, cada um avaliado em cerca de US$ 100 milhões. No entanto, os investimentos deverão ser muito mais amplos.
A Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdid) alerta que não basta pensar onde a bola vai rolar. Para que a Copa seja um sucesso, o Brasil precisa sofrer uma mudança profunda, pois terá de eliminar problemas crônicos e históricos de infra-estrutura, além dos gargalos que existem há décadas.
Para Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Abdid, toda a preparação deve partir de um plano diretor que identifique quais os empreendimentos de infra-estrutura e de esportes que o Brasil precisa construir. "É importante que haja envolvimento e comprometimento dos governos, em todos os níveis da Federação, além, e sobretudo, da iniciativa privada. Quanto maior a participação dela no planejamento e nos investimentos, maiores as chances de haver sucesso", afirma.
No fim de junho, a Abdid fechou um termo de cooperação técnica com a CBF e com o Ministério dos Esportes, a fim de identificar cada projeto a ser implementado e o valor estimado para a iniciativa. "É preciso investir em transporte, fontes geradoras de energia, saneamento - principalmente coleta e tratamento de esgoto-, telecomunicações etc, tudo para que o País funcione direito e atenda os brasileiros, ao setor produtivo e aos turistas que aqui estarão, deixando um legado pelo desenvolvimento", disse Terra. Os investimentos necessários para resolver os gargalos da infra-estrutura foram estimados em R$ 87,7 bilhões, a serem realizados em dez anos. Como a Copa não permite esperar uma década inteira, os esforços terão de aumentar para acelerar os investimentos.
Se o propósito é construir um legado, é preciso pensar no uso das instalações após o evento. "Precisamos desenvolver empreendimentos de infra-estrutura e de esportes pensando na viabilidade econômica deles para o futuro, a fim de que a Copa do Mundo deixe um rastro de crescimento no Brasil. Dou um exemplo; o País precisa aderir ao conceito de arenas com múltiplas funções, conciliando esportes, entretenimento e serviços diversos. Os estádios hoje são poucos utilizados e têm infra-estrutura e tecnologia defasada. Os empreendimentos podem ter investimento e operação privados, garantido um melhor aproveitamento dos projetos após a Copa", frisa Lima.
Outro desafio, como lembra Elias de Souza, também gerente sênior da área da Deloitte que atende ao setor público, é quanto ao modo de operação entre o Comitê Gestor da Copa, que executa tarefas representativas da FIFA, a entidade organizadora do evento, e as atividades dos órgãos do Poder Público. "Como o Comitê vai se posicionar perante os diversos órgãos públicos sobre as necessidades que atendam aos requerimentos mínimos definidos para a realização do evento? E como vai deliberar sobre prazos de construção e concessão para a exploração de uma estrada a ser criada, por exemplo. E como vai influenciar sobre o uso de um novo estádio ou a mudança de traços de ruas? Somente o governo tem esse poder, em nome do cidadão, usando verbas públicas. Esse é apenas um dos modelos de gestão e de realização de negócios para os quais deveremos achar padrões", pontua. É dessas definições que depende o sucesso do Brasil em 2014, pelo menos, fora dos campos.
O Comitê Gestor da Copa, entidade privada criada para administrar todo o torneio, até agora não deu início a ações efetivas.
Fonte: Matéria Revista Deloitte

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